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 A Polícia Federal prendeu Márcia Gama, mãe do rapper Oruam e esposa de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, durante uma operação realizada no Rio de Janeiro. A ação investiga um esquema suspeito de controlar ilegalmente o fornecimento de internet em comunidades cariocas, com possível envolvimento de integrantes do Comando Vermelho.

De acordo com as informações divulgadas sobre a investigação, o grupo suspeito teria utilizado ameaças e violência para restringir a atuação de empresas concorrentes e pressionar moradores e comerciantes a contratar serviços de internet ligados à organização criminosa.

A operação também tem outros familiares de Marcinho VP entre os alvos. Entre as regiões investigadas estão os complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, no Rio de Janeiro.

Operação prevê dezenas de mandados e bloqueio milionário

A ação policial prevê o cumprimento de 23 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As diligências se estendem a diferentes municípios do estado, incluindo Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.

Além das medidas de prisão e busca, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 558 milhões. A decisão alcança 40 pessoas físicas e 42 empresas investigadas.

Entre os negócios atingidos estão provedores de internet, produtoras de eventos, empresas de contabilidade e companhias suspeitas de terem sido utilizadas para movimentar ou ocultar recursos. Também foram determinadas medidas de suspensão das atividades econômicas de empresas investigadas.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deverá ser comunicada para avaliar providências relacionadas às autorizações e aos serviços de telecomunicações das empresas envolvidas.

Como funcionaria o esquema conhecido como “internet do tráfico”

Segundo as apurações da Polícia Federal, integrantes armados do Comando Vermelho teriam danificado estruturas de empresas de telecomunicações, incluindo cabos e equipamentos de distribuição. A investigação também aponta dificuldades impostas às equipes técnicas que tentavam realizar reparos.

Essas práticas teriam como objetivo limitar a concorrência e fazer com que moradores e comerciantes contratassem provedores autorizados a operar nas áreas sob influência da facção.

Ainda conforme os investigadores, empresas que prestavam serviços nessas regiões precisariam pagar valores periódicos ao grupo criminoso para continuar funcionando.

Documentos financeiros atribuídos à organização indicariam que, em um único mês, a arrecadação relacionada ao fornecimento de internet representou mais de 40% das receitas do grupo no Complexo da Penha.

Investigação apura possível lavagem de dinheiro

A Polícia Federal também investiga como os valores supostamente obtidos com o esquema eram movimentados e destinados a diferentes negócios.

Segundo as informações divulgadas, os recursos teriam passado por empresas arrecadadoras, intermediários financeiros e contas utilizadas para realizar transações. A apuração também examina a possível utilização de empresas dos setores de eventos e publicidade, imóveis de alto padrão e operações com criptoativos para ocultar a origem do dinheiro.

Entre os crimes investigados estão lavagem de dinheiro, extorsão, interrupção de serviços de telecomunicações e outras condutas relacionadas ao controle ilegal de atividades econômicas em territórios dominados pela organização criminosa.

A operação busca atingir a estrutura financeira e operacional investigada, além de esclarecer a participação de cada pessoa e empresa suspeita.

É importante ressaltar que as acusações fazem parte de uma investigação policial. A responsabilidade individual dos investigados deverá ser estabelecida pelas autoridades competentes, respeitando-se o direito de defesa e a presunção de inocência.

VEJA O VÍDEO.

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