A Polícia Civil de São Paulo abriu uma investigação para apurar a morte de bebês que passaram pelo Hospital Salvalus, localizado no bairro da Mooca, na zona leste da capital paulista. Os casos levantam suspeitas de possíveis infecções adquiridas durante a internação, mas as circunstâncias das mortes ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades.
De acordo com reportagem nesta sexta-feira (23), o 8º Distrito Policial, no Brás, investiga seis casos. A reportagem informou também ter tido acesso a 16 certidões de óbito relacionadas a crianças atendidas na unidade.
A advogada Eduarda Fragnan Gomes, que representa familiares das vítimas, afirmou manter contato com 36 mães que perderam seus filhos após passarem pelo hospital. O número se refere aos relatos recebidos pela representante das famílias e não corresponde à quantidade de mortes oficialmente confirmadas pela investigação policial. <Cite refs={["turn561829view0"]}/>
Investigação busca esclarecer as circunstâncias das mortes
Segundo as informações divulgadas, há suspeitas de que algumas crianças tenham desenvolvido infecções durante o período de internação. Entre as causas registradas em certidões de óbito estão sepse, choque séptico e outras complicações clínicas.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que os casos foram comunicados às autoridades no dia 21 de outubro. A Polícia Civil realiza diligências, ouve profissionais de saúde e testemunhas e analisa prontuários médicos para esclarecer as causas das mortes e as circunstâncias dos atendimentos.
A investigação deverá verificar se houve alguma irregularidade ou falha nos cuidados prestados aos pacientes. Até que as apurações sejam concluídas, não é possível afirmar que todas as mortes tenham sido provocadas por infecções hospitalares ou que exista responsabilidade comprovada da instituição.
Famílias relatam situações preocupantes
Entre os casos mencionados na reportagem está o de Gael França da Silva, que tinha quatro meses quando foi atendido no hospital após apresentar inflamação na garganta.
Segundo o relato de sua mãe à Polícia Civil, inicialmente foram prescritos medicamentos. No dia seguinte, o bebê apresentou sinais de agravamento e exames identificaram um processo infeccioso. Ele foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde precisou de cuidados intensivos.
Durante a internação, o pé utilizado para a administração de medicamentos intravenosos desenvolveu necrose, conforme a reportagem. Gael morreu aos sete meses de idade. A certidão de óbito registrou, entre as causas, choque séptico, sepse e pneumonia.
Outro caso citado é o de Guilherme Ferreira Miranda, um recém-nascido que foi internado em março. Segundo o relato da família, o menino apresentou complicações durante o período hospitalar, incluindo episódios de parada cardiorrespiratória. Ele morreu no início de maio.
A reportagem também relata a história de Alice Vitória de Andrade Reis, que permaneceu internada por aproximadamente seis meses. A mãe suspeita que a filha tenha contraído uma infecção bacteriana durante a internação. Alice morreu em abril, aos 1 ano de idade, e sua certidão de óbito registra, entre outras condições, ventriculite infecciosa e sepse de foco pulmonar.
Os relatos integram o conjunto de situações que motivaram familiares a buscar esclarecimentos sobre o atendimento recebido pelas crianças.
O que diz o hospital
Procurada pela reportagem, a rede HapVida, responsável pelo Hospital Salvalus, afirmou que os pacientes mencionados apresentavam condições clínicas diferentes e quadros de elevada gravidade.
Em nota, a empresa declarou que as crianças receberam assistência contínua e multidisciplinar, com participação de profissionais de diferentes especialidades. Também informou que as condutas terapêuticas foram definidas individualmente, considerando as necessidades e a evolução clínica de cada paciente.
A rede acrescentou que mantém um canal de diálogo com os familiares, respeitando a privacidade dos pacientes e o sigilo médico.
Apuração continua
A investigação policial busca esclarecer o que aconteceu em cada caso, incluindo as causas dos óbitos e a eventual existência de falhas nos procedimentos de atendimento e controle de infecções.
Enquanto aguardam respostas, familiares das crianças buscam esclarecimentos sobre as circunstâncias que envolveram as internações e as mortes.
O número de seis casos sob investigação policial, as 16 certidões de óbito mencionadas na reportagem e os relatos de 36 mães representam informações distintas e não devem ser tratados como números equivalentes. A apuração das autoridades será fundamental para determinar o que ocorreu e se houve responsabilidades a serem atribuídas.
VEJA O VÍDEO.

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