Imagens de câmeras de segurança registraram momentos vividos dentro de uma residência em Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, antes e depois do ataque que matou Gleici Keli Geraldo de Souza e deixou a filha dela ferida. O crime aconteceu em junho de 2025.
As gravações foram divulgadas pelo advogado que representa a filha mais velha e a filha de Gleici. Segundo o representante da família, o material foi apresentado com o objetivo de contestar a conclusão de que Daniel Bennemann Frasson, marido de Gleici e acusado pelo crime, seria inimputável no momento dos fatos.
De acordo com as informações divulgadas sobre as imagens, os registros mostram momentos anteriores ao crime em que Daniel e Gleici aparecem dentro da residência. Em alguns trechos, os dois conversam e discutem sobre questões relacionadas a dinheiro e objetos da casa.
Na manhã do ataque, as câmeras mostram Daniel circulando pelo imóvel. Em determinado momento, ele aparece indo até a cozinha, pegando uma faca e seguindo em direção ao quarto onde estavam Gleici e a filha.
Depois, as imagens registram o retorno de Daniel à sala com sangue pelo corpo.
Na sequência, familiares chegam à residência. A filha é retirada do quarto e recebe os primeiros socorros. As gravações também mostram Daniel circulando pelo imóvel e sendo amparado por familiares. Em determinado momento, ele aparece levando as mãos à cabeça e tentando limpar manchas de sangue que estavam no chão.
O material também inclui registros anteriores ao crime. Segundo o advogado da família, algumas dessas imagens mostram conflitos ocorridos dentro da residência. Uma mensagem apresentada no conteúdo ainda mostra uma familiar de Daniel orientando Gleici a esconder as facas da casa. O advogado afirma que teria ocorrido uma ameaça contra Gleici e a filha dois dias antes do ataque. Essa informação é apresentada pela assistência de acusação e não deve ser tratada como fato judicialmente comprovado sem a devida confirmação.
Discussão sobre a saúde mental
A condição mental de Daniel passou a ser discutida no processo após a defesa solicitar um exame para avaliar sua capacidade de compreender os próprios atos no momento do crime.
Um primeiro laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso apontou que ele apresentava um quadro que poderia levar à conclusão de inimputabilidade. Posteriormente, a Justiça determinou uma nova avaliação diante de questionamentos sobre o primeiro documento.
O segundo laudo, concluído neste ano, apontou diagnóstico de esquizofrenia e transtorno bipolar e também concluiu pela inimputabilidade. O documento foi anexado ao processo e ainda precisa ser considerado pela Justiça na definição dos próximos passos.
A família de Gleici contesta essa conclusão. O advogado Rodrigo Pouso afirma que as imagens divulgadas demonstrariam, na avaliação da assistência de acusação, que Daniel apresentava capacidade de compreender situações do cotidiano antes do crime. Por isso, a família defende que ele seja considerado responsável criminalmente e levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
O crime
Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, foi morta a facadas dentro da própria residência, em Lucas do Rio Verde, no dia 24 de junho de 2025.
A filha do casal, então com 7 anos, também foi atingida durante o ataque, mas sobreviveu. Ela precisou permanecer internada e passou por tratamento médico durante a recuperação.
Daniel Bennemann Frasson foi preso e posteriormente se tornou réu no processo. Atualmente, ele está internado em uma clínica psiquiátrica particular em Cuiabá, conforme decisão judicial, enquanto a questão relacionada à sua saúde mental continua sendo discutida no processo.
Até o momento, não há data definida para um eventual julgamento pelo Tribunal do Júri. A decisão sobre o prosseguimento do caso dependerá da análise judicial das provas e dos laudos apresentados no processo.
VEJA O VÍDEO.

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