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 Vídeos e registros obtidos pela imprensa expuseram a dimensão do terror vivido por alunos do Instituto São José, em Rio Branco, no Acre, na tarde da última terça-feira (5/5). As imagens mostram jovens correndo em desespero pelos corredores e escadas da unidade de ensino, em meio ao som de disparos, enquanto outros buscaram abrigo no telhado do prédio na tentativa de escapar do atirador. Relatos de testemunhas que estavam no local reforçam o cenário de pânico: "Só que o muro tem seis metros (...) e somente um conseguiu pular. Ele pulou e se abrigou aqui no hotel. O resto ficou no telhado da escola tentando correr", contou Eduardo Rodrigues Cavalcante, que trabalhava em um hotel vizinho e acompanhou a fuga dos adolescentes.

O ataque foi perpetrado por um estudante de 13 anos, que invadiu a escola armado com uma pistola calibre .380 pertencente ao seu padrasto. Os disparos foram efetuados em um corredor que dá acesso à sala da diretoria, e o adolescente não chegou a entrar nas salas de aula – fato que, segundo as autoridades, evitou uma tragédia de proporções ainda maiores. O autor dos tiros foi apreendido pela Polícia Militar logo após o ocorrido, e o padrasto, responsável legal pelo menor e proprietário da arma, também foi detido para prestar esclarecimentos às autoridades.

As vítimas fatais foram identificadas como Alzenir Pereira e Raquel Sales Feitosa, ambas inspetoras da instituição de ensino. Outras duas pessoas – uma funcionária e um aluno – ficaram feridas e foram socorridas por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), sendo encaminhadas ao pronto-socorro da capital acreana. Até o fechamento das primeiras informações oficiais, não havia atualização pública detalhada sobre o estado de saúde das vítimas hospitalizadas.

Diante da gravidade do ocorrido, o governo do Acre determinou a suspensão das aulas em toda a rede estadual de ensino por três dias e mobilizou equipes de apoio psicossocial para prestar assistência a alunos, professores e familiares impactados pela tragédia. O Ministério da Educação (MEC), por sua vez, anunciou o envio ao estado de uma equipe do programa "Escola que Protege", especializada no atendimento a situações de crise e violência extrema no ambiente escolar. Em nota, o governador Mailza Assis manifestou "profunda solidariedade às famílias das vítimas, à comunidade escolar do Instituto São José e a todos os profissionais da educação impactados por este episódio".

A Polícia Civil do Acre instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias e a motivação do atentado. Embora as apurações estejam em curso, uma das hipóteses em análise é a de que o adolescente estaria enfrentando situações de bullying no ambiente escolar – linha investigativa que ainda não foi confirmada pelas autoridades. Investigadores também buscam determinar se outros estudantes teriam tido conhecimento prévio do plano do atirador, o que poderá ser esclarecido ao longo do trabalho da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e dos peritos do Instituto Médico-Legal (IML).

O ataque em Rio Branco se soma a uma série de episódios recentes de violência armada em instituições de ensino brasileiras. Em setembro de 2025, dois adolescentes foram mortos a tiros em uma escola no Ceará. Antes disso, em outubro de 2023, um ataque semelhante em São Paulo resultou na morte de uma estudante de 17 anos e deixou outros três feridos. Em abril do mesmo ano, o caso mais letal da série foi registrado em uma creche de Santa Catarina, onde um homem de 25 anos matou quatro crianças de 3 a 7 anos utilizando um machado.

Enquanto as autoridades seguem com as investigações e com o suporte às famílias enlutadas, as imagens divulgadas pela imprensa seguem como um registro contundente do medo e da vulnerabilidade vividos por centenas de estudantes brasileiros em meio a um fenômeno que, longe de ser isolado, tem se repetido com frequência alarmante nos últimos anos.

VEJA O VÍDEO.

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